Essa argumentação sobre a "apócrise" apresentada por Antônio Cícero , a defesa de um eu absoluto me parece impossivel. Nem penso que Kant tenha isto em sua filosofia crítica. O que ele pretende é argumentar um novo modelo de pensamento crítico, racional, que pergunta sobre as questões porque ele descobre que apenas nó, coma razão-conhecimento ou cognitiva levantamos essas questões. É claro que apresenta uma parte analítica, onde pretende analisar a própria razão não levando em conta seus conteúdos captados pelos sentidos, sentimentos e imaginação, mas ela própria "pura" como ele dizia naquela época. E pretende estar fazendo isto com a própria razão em geral - como tb dizia ele - não mais do eu mas a razão científica que seus antecessores apresentavam e que não precisa da experiência imediata do mundo, pessoal, vivencial, para ser apresentada - veja o caso do espectro luminoso.
A analítica da razão mesma constrói uma filosofia que, em todo caso, partiu da experiência de outros e da própria para abstrair delas e perguntar pela razão mesma como era ela, como conhecemos, como é possivel que conheçamos e qual a validade do conhecimento que apresentamos, para termos critérios de avaliação do discurso cognitivo, seja ele qual for.
Depois apresenta as conclusões a que chega sua filosofia na dialética transcendental, mostrando que tanto argumentações empíricas como especulativas podem apresentar-se como corretas e, portanto, o que há é a questão crítica de pensá-las. Portanto, não há um saber absoluto mas crítico, analítico, que mostra que o conhecimento é algo da razão, construído pela razão e a experiência e argumentado sendo este o ápice a que se chega.
Quanto ao "absoluto" é mais um argumento ontológico ou epistemológico ou cosmológico que vale tanto quanto seu oposto e que, portanto, precisa passar por uma crítica.