A MELANCOLIA
És poderosa,
boca escura,
No íntimo,
imagem formada
De nuvens de
outono,
Silêncio dourado
da tarde;
Grande corrente
de brilho verde
Na região de
sombras,
De pinheiros
quebrados;
Um lugarejo
Que desfalece
abnegado em imagens marrons.
Eis que
saltam os cavalos negros
Em prado
brumoso.
Soldados!
Da colina
onde o sol rola morrendo
Jorra o
sangue que ri -
Sob carvalhos
Atônitos!
Oh, rancorosa melancolia
Do exército;
um elmo cintilante
Caiu tilintando
de fronte púrpura.
Noite
outonal vem tão fresca,
Brilha com
estrelas
Sobre quebradas
ossadas de homens
A silenciosa
monja.
(1914) Georg Trakl
Tradução de Cláudia Cavalcanti. Livro "de Profundis" Georg Trakl. Ed. ILUMINURAS 1994
Tradução de Cláudia Cavalcanti. Livro "de Profundis" Georg Trakl. Ed. ILUMINURAS 1994