segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A MELANCOLIA Georg Trakl



      A MELANCOLIA
És poderosa, boca escura,
No íntimo, imagem formada
De nuvens de outono,
Silêncio dourado da tarde;
Grande corrente de brilho verde
Na região de sombras,
De pinheiros quebrados;
Um lugarejo
Que desfalece abnegado em imagens marrons.

Eis que saltam os cavalos negros
Em prado brumoso.
Soldados!
Da colina onde o sol rola morrendo
Jorra o sangue que ri  -
Sob carvalhos
Atônitos! Oh, rancorosa melancolia
Do exército; um elmo cintilante
Caiu tilintando de fronte púrpura.

Noite outonal vem tão fresca,
Brilha com estrelas
Sobre quebradas ossadas de homens
A silenciosa monja. 
(1914)   Georg Trakl

Tradução de Cláudia Cavalcanti. Livro "de Profundis" Georg Trakl. Ed. ILUMINURAS 1994